A besta Humana [Émile Zola]



Um dos nomes mais importantes do Naturalismo, Émile Zola nos apresenta uma obra em que o ser humano é representado de maneira bestial e a máquina se torna humanizada. Traições, assassinato, cobiça e ganância se mesclam numa trama ambientada nas linhas de ferro francesas, onde transeuntes comuns tem suas vidas interligadas à pessoas que trabalham nas estações de trem.

Escrita no final do séxulo XIX, La Béte humaine possui uma narrativa repleta de descrições que envolvem o leitor a cada virar de página. Severine é casada com um homem 15 anos mais velho que ela. Num dos acasos do destino, acaba por revelar ao marido o caso que tinha com seu antigo senhor, que a tinha como filha depois da morte da mãe de Severine, e que chegou a lhe dar um dote pelo casamento com Roubaud.

Tomado pela fúria, o homem toma a decisão de matá-lo e ela precisa ser conivente com o plano. O crime precisa ser bem orquestrado, pois a vítima era uma importante figura da nata industrial, tendo se envolvido em escândalos sexuais abafados pelo status e dinheiro. Parecia ser o crime perfeito, mas alguém parece ter sido testemunha. O casal entra num consenso, Severine vai seduzir o maquinista Jacques Pecqueau, para garantir o seu silêncio durante a investigação.

E aos poucos, a jovem se vê tomada de paixão por Jacques, e este por ela. Mas em seu íntimo, ele carrega uma violência bestial prestes a explodir. Nesse ínterim, o leitor assiste ao assassinato de uma mulher pelo marido, que tomava veneno em pequenas doses ministradas por ele e a deixavam acamada. Mas o triunfo desta é de que ela sabia que seu marido jamais iria encontrar o dinheiro que ela havia escondido. Sua filha, Flore, nutre uma afeição que beira a obsessão por Jacques, e ela fará o inimaginável para tirar Severine do caminho...


Num contexto literário-histórico, a obra pertence a série de 20 romances intitulada Les Rougons-Macquart, sendo ele o de número 17. Explora elementos sobre o impacto da ferrovia e da revolução industrial em seu segundo momento. A força da máquina ligada à destrutividade humana, mergulhando fundo nos anseios bestiais dos indivíduos.

O livro faz parte da lista de 1001 livros para ler antes de morrer. 


12 comentários:

  1. eu tô tentando, não sei se vou conseguir, ler o máximo de livros dessa lista dos 1001, mas tá dificil, ainda sou bem empacada pra esse tipo de literatura sabe?!
    Gostei da premissa dessa história, pareceu ser bastante critica e reflexiva, gosto de livro assim! Ate grifei ele na lista, quem sabe eu leia ele em breve! Adorei a resenha!

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  2. Olá, tudo bem? Eu não conhecia esse livro ainda, mas pelo o que tu disse parece ser uma obra bem interessante e diferente do que estou acostumada a ler. Adorei a resenha!

    Beijos,
    Duas Livreiras

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  3. Oi, tudo bem? Não conhecia o livro e não me interessei, não é o tipo de literatura que busco, mas fiquei feliz por saber mais desse clássico :) Não sabia que ele está na lista dos 1001 livros para ler, nunca tinha ouvido falar dele.

    Love, Nina.
    www.ninaeuma.blogspot.com

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  4. Sinceramente eu não conhecia essa lista de 1001 livros que precisam ler antes de morrer, será que alguma obra irá me desperta interesse pela leitura? Pois esse em questão não faz o gênero literária e história que me fisgam. O ambiente do século XIX tem muito a contribuir, principalmente com a questão das maquinas, ferrovias. Pela sua descrição a trama foi muito bem construída, porém não me cativou. Uma pena.

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  5. Olá, tudo bem? Espero que sim:)

    Já ouvi falar desse livro em outras ocasiões, mas nunca tive interesse em lê-lo. Acho que e importante sairmos da zona de conforto vez ou outra. Vou anotar a dica

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  6. Olá! Eu já conhecia o autor, mas não lembrava desse título, embora o nome não me seja estranho. Nunca me chamou tanto a atenção, mas achei a trama bem interessante. Fico imaginando se não daria uma boa adaptação (se é que já não teve).
    Bjs
    Lucy - Por essas páginas

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    Respostas
    1. Pior que não tinha me atentado a isso. Vou procurar pra ver se tem filme dele... Sei que Germinal tem uma adaptação,maravilhosa por sinal...

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  7. Olá! Tudo bem?

    Me parece ser uma história muito boa e muito rica, mas, infelizmente não faz meu estilo e não despertou meu interesse.

    Ótima resenha e dica!


    Beijos,
    Blog Diversamente

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  8. Olá,
    Conheço bem, mas tipo bem pouco mesmo sobre naturalismo, então na verdade nem me lembrava deste autor. A história me parece familiar, mas creio que nunca li. Gosto da história central que me propõe porém livros muitos descritivos me cansam.

    Debyh
    Eu Insisto

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  9. Oiii

    eu nunca li nada ambientado nesse contexto da revolução Industrial e a reflexão que o livro traz me parece interessante, é um livro que normalmente não me chamaria a atenção, mas não descarto ler futuramente quando esteja mais habituado à clássicos e livros similares.

    beijos

    www.derepentenoultimolivro.com

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  10. Olá, tudo bem? Não conhecia o livro, mas fiquei bem interessada. Não é uma temática que eu leia muito, no entanto vez ou o outro o enredo me chama atenção, que foi esse caso. Adorei a sua opinião sobre!
    Beijos,
    http://diariasleituras.blogspot.com

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